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18 DE MAIO – DIA DA LUTA ANTIMANICOMIAL
18 DE MAIO – DIA DA LUTA ANTIMANICOMIAL
Neste 18 de maio, dia da Luta Antimanicomial, saudamos Dona Ivone Lara.
A Grande Dama do Samba, consagrada por canções como “Sonho Meu”, “Acreditar”, “Alguém me Avisou”, “Força da Imaginação” e “Sorriso Negro”, foi também enfermeira, assistente social e especialista em terapia ocupacional, dedicando 37 anos da sua vida (de 1941a 1977) à saúde pública, mais especificamente, à saúde mental.
Yvonne Lara da Costa (1921-2018), trabalhou em serviço coordenado pela psiquiatra Nise da Silveira no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, onde participou da inovadora implantação da expressão artística como dispositivo terapêutico, em oposição às práticas de tratamento correntes, que incluíam intervenções agressivas como o eletrochoque e a lobotomia.
Além de realizar a articulação extramuros entre internos, família e comunidade, introduziu a música e a cultura popular do samba na humanização do cuidado de pessoas em sofrimento psíquico, promovendo oficinas com os internos e apresentações que reuniam pacientes, familiares e funcionários.
Com carreira musical paralela à de trabalhadora de saúde, tirava férias religiosamente no carnaval. Foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores de escola de samba, em 1965, pela Império Serrano. Quando se aposentou do Ministério da Saúde, aos 56 anos, lançou seu primeiro disco, em 1978.
A trajetória de Ivone Lara destaca a importante dimensão da escuta, do afeto, da vivência, do encontro e da singularidade no cuidado às pessoas em sofrimento mental, num contraponto ao estigma da patologia.
Ao final da década de 1970, trabalhadores, usuários, familiares e demais segmentos sociais denunciam graves violações de direitos a que estavam submetidas pessoas com transtornos mentais nas internações psiquiátricas. A luta “por uma sociedade sem manicômios” ganha força e aponta a urgência da reformulação da política de atenção em saúde mental no Brasil. A Lei 10.216/2001 é o marco legal desse movimento, definindo um modelo de assistência que privilegia serviços abertos, comunitários, de base territorial, sob a perspectiva do cuidado em liberdade.
Texto: CEDH Acolhe (UNESPAR/EMBAP)
Fontes:
BRASIL. Ministério da Saúde. Dona Ivone Lara: mulheres da Saúde. Brasília, 2024.
PADILHA, M.I.; PERES, M.A.A.; APERIBENSE, P.G.G.S. Dona Yvonne Lara e o compasso entre a arte e a ciência. In: Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v. 26, 2022.
LEITE JUNIOR, D.; FARIAS, M. N; MARTINS, S. Dona Ivone Lara e terapia ocupacional: devir-negro da história da profissão. In: Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 29, 2021.

